sábado, 19 de janeiro de 2013

O que seria a hipótese psicossocial para os avistamentos de discos voadores e extraterrestres?

Nos últimos anos, a ufologia começou a trabalhar com o que se chamou de hipótese psicossocial (HPS) ou hipótese psicocultural (HPC), cujo fundamento defende que a maior parte dos relatos de avistamentos de discos voadores e extraterrestres são mais bem explicados através da psicologia e da antropologia, em uma tentativa de racionalizar e tornar mais metódicos fenômenos ainda sem explicação da ciência.

Apesar de ser um campo muito novo de pesquisas, tem ganhando espaço no meio acadêmico – principalmente entre os novos ufólogos. Entretanto, a HPS e a HPC são confundidas com a posição “agressiva” daqueles que negam a existência de seres inteligentes em outros planetas e galáxias. Os pesquisadores das hipóteses psicossocial e psicocultural creem que este seja um tema muito interessante que merece estudo sério e cético.


A grande questão da HPS e da HPC é que ela não tem uma forma homogênea de explicar os Ovnis. São explicações diferentes para casos particulares, o que a Mufon tenta fazer há algumas décadas, quase separando o joio do trigo, os casos falsos dos que merecem destaque e investigação mais apurada. Exemplos de explicações englobadas na HPS são alucinações, fraudes e enganos com estímulos prosaicos. Devido à sua ênfase no comportamento humano, ela frequentemente busca explicar por que um fenômeno foi interpretado da maneira que foi, recorrendo a temas e influências pré-existentes.

O paradoxo da ficção científica e dos discos voadores...
Diversos autores notam o fato de que revistas, livros e filmes de ficção científica antecedem todos os temas e ideias que seriam posteriormente relacionados aos discos voadores. Bertrand Méheust, um sociólogo francês, em seu livro de 1978, “Science-fiction et soucoupes volantes”, “Ficção científica e os discos voadores”, mostra que quase todos os aspectos do fenômeno Ovni pode ser encontrado em revistas populares de fantasia no começo do século 20, muito antes do início do fenômeno Ovni como conhecido atualmente em 1947, com o registro visual de Kenneth Arnold – especificamente o famoso caso Roswell.

Tal linha de raciocínio também é defendida no artigo “Gauche encounters: filmes B e o mito Ovni”, do norte-americano Martin Kottmeyer. O artigo, que tornou o ensaísta conhecido nos círculos ufológicos, ilustra de maneira gráfica as similaridades entre extraterrestres de filmes de ficção e relatos posteriores de supostas testemunhas de discos voadores.



Alguns autores têm defendido nos últimos anos que o fenômeno alien mostra aspectos de histeria coletiva, especialmente durante as chamadas “ondas de Ovnis”, quando há vários relatos de avistamentos em uma região em um curto espaço de tempo. O psiquiatra francês George Heuyer propôs esta hipótese em 1954 em uma nota ao “Bulletin de l’Académie Nationale de Médecine”.

O que sedimenta as teorias HPS e HPC estão relacionados aos fatos históricos ligados aos avistamentos. Muitos ocorreram durante os anos da Guerra Fria, quando a espionagem entre norte-americanos e soviéticos estava e em alta e havia frequentemente testes de novos veículos militares. Outro ponto importante é a famosa “batalha de Los Angeles”, em 1942, quando o medo de um ataque japonês ao continente americano após a investida no Havaí assombrou toda a população daquela cidade.


Podemos apontar que a hipótese psicossocial (HPS) e a hipótese psicocultural (HPC) são novos mecanismos interessantes que tentam desbanalizar e desmistificar a situação encontrada no meio ufológico, sempre associada ao estereótipo do ufólogo como um indivíduo alternativo e que vive preenchido por clichês de ficção científica. São estudos que trazem mais luz a esta escuridão e que conseguiram mostrar a ligação íntima entre avistamentos após episódios midiáticos em qualquer parte do mundo.