terça-feira, 13 de novembro de 2012

Considerações sobre Vlad III, o Empalador, famoso “Conde Drácula”

A história de vampiros sempre tem um referencial, uma figura muito popular em nossa cultura graças à literatura e ao cinema: o tão famoso Conde Drácula. Muitas pessoas não sabem que ele “existiu”; entre aspas, pois os autores só tomaram como referencial um personagem sombrio da história: Vlad III, príncipe da Valáquia, conhecido popularmente como Vlad Empalador. Ele governou uma parte do que hoje é a Romênia por três períodos: em 1448, de 1456 a 1462 e em 1476. Suas histórias são tão surpreendentes que renderam a ele esta fama bizarra.


Recentemente, escrevi sobre o Conde Drácula, personagem mais famoso dos contos. Leia clicando aqui!

Recentemente, publiquei um post falando sobre o gosto por contos de terror e fantasmagóricos. Para ler, clique aqui!

Vlad vem de uma linhagem familiar extremamente religiosa. Extremamente cristão, ele lutou bravamente contra o expansionismo islâmico na Europa. É uma farsa a história de que ele tenha feito pactos satânicos, muito pelo contrário;

Por sua bravura contra os invasores, é considerado um grande herói nacional, atualmente, na Romênia e na Moldávia. Mesmo sendo bem cruel e sádico com seus prisioneiros, era admirado pelos seus súditos por ser justo e guerreiro;

Tinha uma religiosidade tão ardente que ergueu vários mosteiros e igrejas por toda Romênia. Desta forma, ele queria mostrar aos otomanos que a fé cristã era inabalável e, portanto, invencível. O objetivo era causar impressão;

A lenda da sua imortalidade se deu por Vlad III se parecer muito com o seu pai, Vlad II, morto em uma batalha contra os invasores húngaros em 1447. Por ser muito religioso, a população costumava dizer que ele vencia todas as batalhas por ser imortal com ajuda de um escudo divino;

Seu sobrenome romeno, Draculea, para nós Drácula, significa “filho do dragão”. Isso porque seu pai era membro de uma ordem religiosa cujo símbolo era um dragão. Atualmente, em romeno contemporâneo, “dracul” significa “diabo”;

Ganhou a alcunha de “empalador” porque tinha em seu hábito matar inimidos através do empalamento (morte lenta e extremamente violenta, bastante usada na Europa do Leste naqueles tempos). A intenção era chocar os otomanos quando vissem seus guerreiros pendurados em estacas nos campos de batalha à mercê da morte e do tempo. Por isso ganhou a fama de cruel;


Para quem não sabe, o empalamento é um método de homicídio que consiste em matar a pessoa enfiando-lhe uma estaca pelo ânus até a boca. O indivíduo morria aos poucos de hemorragia, ou sufocamento;

Era um comandante de talento, mas ele conseguiu grande parte das suas vitórias com choques psicológicos, como empalar em um campo aberto mais de 300 soldados turcos para que o reforço otomano, quando chegasse, tivesse uma surpresa desagradável daquilo que os esperava;

Há relatos de que um dos passatempos de Vlad III era capturas pássaros e camundongos para torturá-los, mutilá-los, esfolá-los e empalá-los. Entretanto, não há registro historiográfico destas práticas;

10º Foi morto numa batalha em situações controversas. Há registros de que poderia ter sido assassinado por soldados insatisfeitos, ou até mesmo morto acidentalmente. Foi decapitado e sua cabeça exposta como troféu na cidade de Constantinopla como um exemplo da fé muçulmana vencendo o cristianismo;

11º Foi enterrado num monastério. Entretanto, em 1931, arqueólogos que fizeram a exumação do corpo descobriram que se tratava de ossos de animais;

12º Há o registro de que, certa vez, mensageiros mouros chegaram à Romênia trazendo mensagem no sultanato. Vlad III ordenou que eles tirassem seus turbantes. Contudo, eles se recusaram em referência ao respeito de sua cultura. Com isso, ele ordenou que pregassem os turbantes nas cabeças dos mensageiros;

13º Há lendas que nunca foram comprovadas. Teria conseguido conseguiu reduzir os furtos cortando a mão do ladrão. Teria também conseguido acabar com a pobreza em um dia, quando convidou todos os pobres do reino para um jantar em seu palácio e, ao chegarem, foram trancados em um recinto onde Vlad ateou fogo.


A história de Vlad Empalador mostra muito do reflexo daqueles tempos de medo envolvendo o desconhecimento do outro. Em nome de uma fé incondicional as pessoas cometiam atrocidades gigantescas. Podemos dizer que grande parte destas lendas envolvendo o príncipe e seus súditos podem ser farsa, ou ele jamais seria o herói nacional da Romênia.