terça-feira, 30 de outubro de 2012

Considerações interessantes sobre a onda do momento, a cabala...

Nos últimos quinze ou dez anos, as pessoas têm ouvido falar bastante da cabala, uma vez que vários artistas – como Madonna – se tornaram adeptos deste sistema filosófico que tem raízes bem profundas e nasceu no seio do judaísmo. Mas, afinal de contas, o que é realmente a cabala? Seria uma filosofia de vida, ou uma seita do judaísmo que pode se transformar numa nova religião? O post de hoje tem por objetivo desmistificar muito do que se diz por aí sobre esta especificidade do misticismo dos hebreus.


1º A cabala tenta investigar a chamada natureza divina das coisas. É uma palavra de origem hebraica, significando “recepção”;

2º Trata-se, na realidade, de uma filosofia esotérica. Desenvolveu-se bastante na Idade Média, a partir do século seis, dando enorme salto de teorias do século 13. Pretendia compreender o mundo como uma emanação de Deus;

3º É um ramo de estudos que ensina algo interessante: no mundo, nada é por acaso. Por isso, crê-se que cada letra e palavra postas na Bíblia têm um sentido oculto. Seria o estudo de uma suporta mensagem por trás de outra mensagem;

4º Muitos historiadores apontam que a cabala nada mais é do que um misticismo hebraico de origem judaica, desenvolvido durante a Idade Média. Seria uma pequena conexão com o misticismo dos hebreus antes da adoção do monoteísmo. Assim, o judaísmo ortodoxo rejeita a ideia da cabala, uma vez que a Torá – livro sagrado dos judeus – condena qualquer tipo de misticismo;


5º A cabala propaga a teoria de que o ser humano deve ser merecedor das bênçãos prometidas por Deus. Assim, não é qualquer um que pode ser abençoado, mas sim um preparado e encaminhado nessa arte chamada “positiva”;

6º Há uma controvérsia quanto ao seu estudo. Um ramo do judaísmo aponta que somente homens casados, com mais de 40 anos e com vida religiosa bem ativa pode conhecer as revelações da cabala. Enquanto isso, nos Estados Unidos principalmente, virou moda entre algumas celebridades;

7º Alguns historiadores judeus apontam, com certa decepção, que os dias gloriosos da cabala simplesmente acabaram, uma vez que a propagação desta filosofia foi tão grande que houve uma abertura imensa. O que era um segredo filosófico medieval acabou por se tornar ícone da cultura pop ocidental;

8º Para conhecer bem a cabala, é preciso estudar muito não somente o Antigo Testamento da Bíblia, mas também outros textos hebraicos como o “Sefer yetzirah”, o “Tanakh” e o “Midrash”, entre outros. Por este motivo há muitas escolas de iniciação em todo o mundo. A cabala não é como a Bíblia segundo o protestantismo, cujos textos podem ter livre interpretação;


9º A partir do século 18, adeptos da cabala ficaram conhecidos na Europa como se fossem membros de sociedades secretas, o que chegou a ser um incômodo para a Igreja, ainda hegemônica naqueles tempos;

10º Os adeptos da cabala pecam ao dizer que a sua filosofia seja mais antiga do que realmente é. O mesmo acontece com os maçons. Segundo estudos históricos sérios, a cabala teve seu gérmen nos tempos de Abraão com o misticismo hebraico, mas o que conhecemos atualmente nasceu no início da Idade Média;

11º Uma das maiores críticas da cabala é promover o dualismo teológico dentro do sistema monoteísta mais antigo. Em alguns textos cabalísticos há a referência de que existe um poder do bem contra um poder do mal, ambos em eterno conflito. Assim, algumas interpretações dizem que a cabala afirma a existência de dois deuses, um bom e outro mau;

12º Muito da filosofia cabalística foi deturpada desde o século 19, quando pseudo-historiadores ocultistas promoveram um enorme ecletismo teórico dos textos originais. Assim, nasceram livros que fala até sobre um tarô judaico, uma forma de previsão do futuro, rituais de ocultismo etc.


No geral, podemos apontar que a cabala nada mais é do que um sistema filosófico que tenta compreender o mundo a partir da visão medieval das coisas, o teocentrismo. Não há nada de secreto ou de ocultista em seus ensinamentos.