quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sereias, a verdade sobre o mito das belas donzelas do mar...

A sereia apanhada no Lago de Belfast, na Irlanda do Norte, no ano 558 d.C., tinha um passado incomum. Cerca de 300 anos antes fora uma linda jovem chamada Liban, cuja família morrera numa inundação. Viveu durante um ano no mar, sendo gradualmente transformada naquilo que conhecemos por sereia. A sereia começou a cantar debaixo da água, quando foi ouvida e recolhida pelas redes de um grupo de pescadores, que lhe chamaram Murgen, que no idioma local significa “nascida no mar”, e a colocaram num tanque para que todos pudessem vê-la. Recebeu um batismo e, quando morreu, ficou conhecida como Santa Murgen (foto abaixo) e muitos milagres lhe foram atribuídos.


Em 1403, outra sereia ficou presa em um charco de lama em Edam, na Holanda. Segundo um relato do século 17, foi salva por mulheres da vila, que a limparam e alimentaram. Nunca aprendeu a falar, mas viveu durante 15 anos e, após a sua morte, recebeu uma sepultura cristã no cemitério da capela local.

A belíssima sereia da Ilha Santa Iona, na Escócia, visitava diariamente um velho senhor que lá vivia em reclusão, por quem se apaixonara e cuja alma, que as sereias não possuem, ansiosamente pretendia. O homem, então, disse que era preciso que ela renunciasse a vida no mar. Com isso, desesperada, a sereia partiu e nunca mais voltou. Suas lágrimas se transformaram em flores que enfeitam a costa dessa ilha.

Na Amazônia, uma linda jovem causava inveja em toda a tribo, até que uma noite seus irmãos a pegaram numa tocaia e mataram-na. Os peixes, piedosos, levaram Iara até o encontro dos rios Negro e Solimões, transformando-a em uma belíssima sereia para cantar a sua tristeza.


O mito...
As sereias aparecem em lendas extremamente antigas. Os filisteus e os babilônios dos tempos bíblicos adoravam deuses com caudas de peixe. Aparecem também sereias em moedas coríntias e fenícias. Diz o mito que o conquistador Alexandre O Grande teve várias aventuras sexuais com sereias no Mediterrâneo. Há vários relatos de viajantes romanos que afirmavam terem visto sereias em vários cantos do mundo conhecido daquela época.

A tradição folclórica sempre é parecida: uma jovem que é castigada pela inveja humana, mas ganha a piedade da natureza. Com isso, uma vez por ano ganha o direito de ir à terra com forma humana e aproveitar um pouco algum festejo local. Às vezes, homens desavisados se apaixonam por elas e quase provocam situações embaraçosas e desastrosas. A lição moral do mito é o mesmo: pesar a vida entre a razão e a paixão. Na Idade Média, na França e na Inglaterra, várias pessoas diziam que um dia tiveram sereias em sua árvore genealógica: uma tia distante, uma bisavó, uma madrinha que morava em outro canto do reino.

Os marinheiros que voltavam de longas viagens sempre contavam histórias de mulheres do mar. Em 1717, em Amsterdã, foi lançada uma coleção sobre a fauna marinha da Índia e lá estava a figura de várias sereias que poderiam ser encontradas ao longo do difícil caminho. O mais interessante é a descrição enciclopédica e quase científica do bicho:

“MULHER DO MAR: monstro com cerca de 1m50 de comprimento. Vive na água, mas pode chegar à terra e ficar lá por até três dias. De tempos em tempos solta uns grunhidos, não sabe falar e não tem nenhuma cultura. Não aceita nenhuma espécie de alimento conhecido oferecido: pequenos peixes, caranguejos, lagostas etc. É um ser perigoso”

É interessante notar as inúmeras descrições sobre as sereias supostamente vistas e até capturadas. Cabelo verde, rosa, azul-celeste. Pele cinza, esverdeada, azulada. Pelos corporais amarelos, pretos e duros como espetos, ou rosados.


Um recurso muito lucrativo!
Em 1830, em Londres, um taxidermista trouxe a público o que ele havia dito ser a prova da existência de uma sereia. Conseguiu vender o exemplar a um preço incrível a um colecionador de história natural. Alguns meses depois, um biólogo estudou o animal e esclareceu a farsa: tratava-se de um macaco costurado com partes de peixe. Essa mesma fórmula bizarra – macaco-peixe – foi um comércio lucrativo nos portos do Japão durante o século 18 e muita gente assim fez fortuna.

Adeptos da teoria dos deuses astronautas creem piamente na existência de sereias, que eles atribuem a cruzamentos estranhos feitos pelos aliens. O problema é a falta de provas físicas, como esqueletos. Mas essa polêmica é assunto para outro post mais à frente.

Recentemente, povoaram na internet fotos de possíveis esqueletos de sereias encontrados em praias da Austrália. As fotos chocaram várias pessoas, que passaram a questionar a comunidade científica. Entretanto, tudo não passava de uma brincadeira de um artista plástico bastante habilidoso que, da mesma forma que no século 19, em Londres, juntou carcaças de animais marinhos e criou esses seres – que mais tarde vendeu a um preço exorbitante na internet, mas não enganando a população, mas sim a preço de artesanato.



A verdade sobre o mito...
Atualmente, há um consenso entre biólogos, naturalistas e historiadores: as sereias são fruto da mente humana e sua invencionice folclórica. O que os navegadores presenciavam eram animais que podem ser confundidos com sereias vistos de longe por conta da sua formação quase antropomórfica. São animais como: peixe-boi, peixe-boi marinho, foca, leão-marinho, dugongo etc.





As focas gostam de se estender nos rochedos das praias para se aquecer ao sol enquanto emitem gritos estranhos em coro, o que poderia ser confundido com canto de sereias vistas de longe, somado a isso a própria mentalidade medieval repleta de folclorismos e monstros míticos. Ou seja, o mito da sereia é mais um erro de identidade.

O mais interessante é que desde 1962 o Departamento Turístico da Ilha de Man oferece um prêmio, hoje avaliado em 600 mil libras, a quem trouxer do mar uma sereia viva. Há quem continue a caçada incessantemente, mas outros tantos já desistiram de buscar uma bela donzela das águas profundas.