sábado, 8 de setembro de 2012

Pseudociência: tão falada e debatida, mas você sabe do que se trata?

Nos últimos anos, principalmente através da popularização da internet e da TV a cabo, tornou-se comum falar em pseudociência. A lista de disciplinas dessa área é gigantesca: ufologia, viagem no tempo, milenarismo, parapsicologia, feng-shui, criptozoologia, astrologia etc. De acordo com filósofos da ciência, a pseudociência é qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em fatos científicos, ou mesmo como tendo um alto padrão de conhecimento, mas que não resulta da aplicação de métodos científicos.

Em geral, teóricos dizem que são tipos de conhecimento de puro entretenimento e que não fazem mal à sociedade. Já outros, como o renomado físico Richard Dawkins, consideram uma forma perigosíssima de manipular conhecimento, pois pode resultar em danos sociais sem precedentes, como histeria coletiva e problemas de saúde (como a cromoterapia e a cristalterapia).


Classificação geral...
Tipicamente, as pseudociências falham ao não adotarem os critérios da ciência em geral (incluindo o método científico), e podem ser identificadas por uma combinação de uma destas características: (1) aceitar verdades sem o suporte de uma evidência experimental; (2) aceitar verdades que contradizem resultados experimentais estabelecidos; (3) deixar de fornecer uma possibilidade experimental de reproduzir os seus resultados; (4) aceitar verdades que violam falseabilidade; (5) violar a Razão de Ockham (o princípio da escolha da explicação mais simples quando múltiplas explicações viáveis são possíveis), pois quanto pior for a escolha, maior será a possibilidade de errar.

O nobre leitor deve estar se perguntando, então, por que a teologia e a filosofia não se enquadram no propósito das pseudociências. Bem, as pseudociências são distinguíveis de filosofias, revelações, teologias ou espiritualidade, pois elas dizem revelar a verdade do mundo físico por meios científicos (ou seja, muitas normalmente de acordo com o método científico). Na teologia, por exemplo, ninguém diz que teve uma revelação de Javé ou de Buda através de métodos cartesianos de análise do “problema”.


Pseudociência versus protociência...
A pseudociência difere também da protociência. A última pode ser definida como especulações ou hipóteses que ainda não foram testadas adequadamente por um método científico, mas que é de todo modo consistente com a ciência existente ou que, sendo inconsistente, oferece uma explicação razoável para a inconsistência. Esse é o caso da exobiologia (que estuda o comportamento e possibilidade de vida microbiótica em outros planetas) e da exometeorologia (que analisa as massas de ar e atmosferas em outros planetas).

Pseudociência, ao contrário, procura testes adequados ou a possibilidade destes, ocasionalmente não testáveis em princípio, e seus defensores são frequentemente estridentes em insistir que os resultados científicos existentes estão errados. Ela, frequentemente, não responde aos procedimentos científicos normais (exemplo, revisões, publicações em periódicos padrões). Em grande parte das vezes, os defensores de alguma pseudociência acusam o sistema de dificultar a comprovação das suas teorias.

Entretanto, as fronteiras entre pseudociência, protociência, e a ciência real são pouco claras para observadores não especialistas. Elas podem ser mesmo obscuras para especialistas. Muitas pessoas já tentaram estabelecer um critério objetivo para o termo, com pouco sucesso. Se as verdades de uma dada pseudociência pudessem ser experimentalmente testadas ela pode ser uma ciência real, mesmo que não seja usual ou intuitivamente inaceitável. Se ela não pode ser testada, ela deve ser uma pseudociência. Se as assertivas feitas são inconsistentes com os resultados experimentais existentes ou com a teoria estabelecida, ela é frequentemente uma pseudociência.

Existem vários exemplos que tangem dúvidas na comunidade científica: (1) por muitos anos, a psicologia foi considerada uma pseudociência pela comunidade médica, bem como até hoje muitos entendem desta mesma forma a psicanálise; (2) a questão do aquecimento global é a pauta em voga nas comunidades de cientistas, quando uns mostram-se favoráveis à questão e outros dizem que faltam comprovações mais contundentes; (3) muitos físicos e astrônomos apontam que a parapsicologia e a ufologia não merecem crédito de ciência por trabalharem com “o desconhecido”, causando um racha enorme no fórum de debates.


A questão da imparcialidade...
Inúmeros filósofos da ciência criticam que os praticantes das pseudociências não atuam com total imparcialidade e análise crítica total da razão, agindo com maior paixão ao defender o status daquilo que pesquisam. Assim, segundo eles, estariam agindo ufólogos, homeopatas, astrólogos, numerólogos, acupunturistas etc. No entanto, uma outra corrente desta filosofia da ciência faz um questionamento interessante: quem vai pesquisar ou trabalhar com algo, dedicando-se anos e décadas da sua vida, sem ter tal paixão pela coisa? Por que um engenheiro é engenheiro? Por que um médico neurologista exerce tal função por tantas décadas? Simplesmente porque, naturalmente, já há uma paixão dentro da prática.

Absurdos da não-pseudociência...
Existe um subconjunto do que é comumente chamado de pseudociência que difere do que aqui foi definido como pseudociência. A maioria deles é baseado na matemática, e os problemas são geralmente apresentados com uma simplicidade tentadora. Eles normalmente vivem num sistema fechado de suposições e premissas e dependem de uma interpretação falha das regras deste sistema. Enquanto pseudocientistas falharam em provar que estavam certos, estes empreendimentos podem ser provados impossíveis.

Os antigos problemas geométricos de dividir um ângulo em três usando apenas uma régua e um compasso e de desenhar um quadrado com a mesma área de um dado círculo são exemplos deste tipo de problema. Alguns dizem que invenções que pretendem ilustrar o motor contínuo também entram neste grupo. Este último aparece com tanta frequência que o escritório de patentes dos Estados Unidos tem como política desconsiderar a aplicação de patentes deste tipo.

Por causa do fato de seu sucesso não depender de evidências empíricas do mundo real, alguns cientistas não consideram a matemática uma ciência. Neste contexto, a violação das regras da matemática não pode ser considerada pseudociência. Estes cientistas, que são matemáticos, no entanto, diriam que o termo técnico correto para alguma coisa violando as regras da matemática seria “errado”. A matemática difere as outras ciências por estar baseada em provas que (como diriam os matemáticos) proveem um grau de certeza muito maior do que o que pode ser alcançado por experimentos (embora alguns experimentalistas discordem).


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A discussão está aberta e é muito polêmica. A questão das pseudociências e das protociências é muito longa e complexa, porém bastante inquietante para quem se interessa em explorar o mundo das teorias das conspirações. O mais interessante é perceber a paixão declarada nesses discursos onde cada lado aponta suas virtudes; ou seja, mais popularmente, cada um puxa a brasa para a sua sardinha!