sábado, 15 de setembro de 2012

Mito dos dragões: demônios no Ocidente, anjos no Oriente...

Aqui no Ocidente, o dragão, revestido de escamas e vomitando fogo, representa o mal e a destruição. Já no extremo Oriente, o dragão representa um animal benévolo, simbolizando a chuva, a neblina e o vento. No período medievo da Coreia e da China, por exemplo, cada vila tinha o imaginário de seu dragão protetor como hoje cada cidade cristã tem um santo padroeiro.

Nesse período medieval asiático, os chineses acreditavam que tufões e inundações representavam dragões combatendo no alto dos céus. Os trovões, na Coreia, eram urros de dragões se digladiando no horizonte. As enormes pedras redondas de rios eram ovos camuflados desses animais. A invencionice popular era bem fértil e interessante!

Na China, a cor do dragão representava algo bem específico: preto – tempestade, amarelo – sorte, azul – fertilidade da terra que se plantava. Acreditava-se que eles viviam nas profundezas de lagos e do mar, e que as pérolas eram preciosas verrugas de sua pele cheia de escamas.

Atualmente, paleontólogos argumentam que os dragões que um dia habitaram o folclore medieval da Ásia e da Europa eram, na realidade, fósseis de animais pré-históricos como os dinossauros.


Adversários dos heróis, os vilões das pequenas cidades...
No Ocidente, os dragões devoravam os homens e ocultavam tesouros em cavernas. Voavam de noite vomitando fogo e berrando. Eram vistos como prenúncio de catástrofes, mesmo que ninguém tenha visto um de verdade voando por aí. É como a nossa história de quem vê o Saci, mas não há provas da sua existência.

A lenda do homem que mata dragões aparece em todas as cultuas europeias do período, sempre sangrentas e provando a masculinidade deste personagem. Siegfried, Beowulf, São Jorge, São Miguel, Tristão: todos eles trucidam dragões e ganham a confiança de um povo, marcando sua bravura.

Na maior parte das lendas europeias, os dragões raptam donzelas enquanto jovens heróis têm que ir salvá-las do perigo em troca de um casamento promissor. É aí que surge o conto de fadas tão popular na nossa cultura ocidental, mas tão estranho no Oriente, uma vez que lá os dragões são seres bondosos. Enquanto no Ocidente esses animais se alimentam de cavalos, carne humana e veneno, no Oriente a cultura diz que a alimentação é à base de alface, repolho e maçãs.


Não se sabe de que maneira a lenda dos dragões tenha surgido. O que se sabe é que os homens viram fósseis pré-históricos e fizeram associações nebulosas com seres de seu imaginário. O fato é que há uma inversão de papéis do dragão em nossa cultura e na oriental.