terça-feira, 14 de agosto de 2012

Peste bubônica, uma doença cheia de histórias...

A peste bubônica, doença que se alastrou pela Europa medieval, ceifou a vida de mais de 50 milhões de pessoas naquele tempo negro, o equivalente a um terço da população da época. Tão catastrófica, entrou para a história e mudou o curso da humanidade. Recentemente escrevi um post com algumas considerações sobre a doença. O post pode ser lido aqui!


A peste teria chegado primeiro à Europa através de uma espécie de rato indiano. Vivendo sempre próximo aos humanos, encontrou o meio mais fácil de transmissão; por ser um continente frio, com casas sempre fechadas e poucos hábitos de higiene, isso foi fundamental para a praga se disseminar ao longo dos séculos. Há registros na Rússia, no século 12, de que os mongóis já haviam sofrido gravemente com a peste bubônica nas pradarias da Sibéria.

A seguir, algumas considerações e curiosidades sobre a peste negra:

Em 1347, havia tantos mortos em Gênova, na Itália, que não havia mais sepulturas para o enterro. Com isso, foram construídas piras enormes cujos corpos eram cremados. Alguns eram atirados ao mar;

O mesmo aconteceu em outras cidades europeias. Os rios de Paris e Londres se tornaram cemitérios flutuantes. Além da sujeira pela falta de higiene e do mal-estar da própria peste, outras doenças se proliferaram por causa da exposição dos cadáveres. A água ficou contaminada. Se a pessoa não morresse de peste, com certeza seria ceifada por diarreia ou cólera;

Era chamada “peste negra” porque as pessoas adquiriam bolsões negros pelo corpo. Por fim, a circulação ficava totalmente comprometida e havia o quadro de gangrena. Os dedos e mãos ou pés ficavam totalmente enegrecidos. Era um quadro horrível;


Muitos médicos corajosos se dispuseram a atender as pessoas doentes, enquanto a maioria fugia das cidades acreditando que não havia mais o que ser feito. Na mentalidade medieval, os demônios estavam sobre a terra castigando a todos. Por isso, os médicos usavam uma roupa muito estranha e uma lança de dois metros de comprimento para furar os bubos (foto abaixo);


Muitos médicos acreditavam que a doença viesse pelo ar, graças ao mau cheiro das cidades, que não contavam com nenhum tipo de higiene e sistema de saneamento básico. Por isso, a recomendação médica da época era fechar a residência a fim que o miasma não entrasse. Justamente era o risco maior: com o calor e a comida, os ratos se proliferavam e a doença passava de pessoa para pessoa. Outra solução encontrada, e sem eficácia alguma, era usar cânfora no pescoço para evitar a inalação desse ar pesado;

Segundo relatos, durante a grande epidemia em Portugal havia uma média de 400 mortes todos os dias;

A peste negra resultou num efeito cultural enorme em toda Europa, principalmente o antissemitismo. Na Alemanha, os judeus foram acusados de espalhar a doença através do envenenamento de poços. Foram relatados vários pogroms em toda Alemanha e territórios próximos. Cerca de 150 cidades em territórios germânicos registraram violência contra judeus por conta da peste;

Os efeitos econômicos da peste negra na Europa foram gigantescos. Havia menos terra para ser cultivada – muitas foram usadas como cemitério – e a mão de obra também diminuiu em número. Os preços aumentaram absurdamente; com isso, quem não morreu pela doença ou por cólera, morria de fome;

Os judeus e ciganos foram vítimas menores da peste por conta de suas leis religiosas que envolvem a prática de higiene. Ambos devem lavar as mãos a cada refeição e separar os gêneros alimentícios. Com menos mortes, os cristãos os acusaram de terem criado a doença a fim de dizimar a cristandade em prol do diabo;


10º A última pandemia da peste negra ocorreu na segunda metade do século 19, na Ásia, e rapidamente se espalhou pelo mundo, chegando à Califórnia. Mas graças às medidas sanitárias já em voga na época, o número de vítimas foi muito reduzido;

11º Desde 1916, a peste negra não é considerada um grande problema de saúde. Há alguns casos em aldeias e cortiços, mas logo os medicamentos são suficientes para cessar o contágio;

12º No século 15, os turcos em guerra usaram cadáveres com peste como arma biológica. Os mortos eram catapultados para dentro das muralhas de cidades inimigas, ou então postos dentro do leito de rios para que a água fosse contaminada. Atualmente, não existe essa preocupação porque os medicamentos são fortes o bastante.