terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (9)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

“Fulano é o diabo a quatro!”
Significa que alguém é muito arredio, dado a arte e bagunça. Nasceu na França, “faire le diable a quatre”, originada do teatro da Idade Média, quando o diabo aparecia para atormentar os personagens indicando vingança, desejo, luxúria etc. Geralmente, os autores compunham as cenas com quatro diabos rondando o personagem indicando a consciência exageradamente maléfica. No Brasil acabou ganhando a variação com palavrão: “o caralho a quatro”.

De onde vem a expressão “o dia D”?
Trata-se de uma expressão histórica muito importante na contemporaneidade. Este foi o dia 06 de junho de 1944, quando os aliados invadiram a Europa pela Normandia, na França, em plena Segunda Guerra Mundial, fazendo com que os nazistas se enfraquecessem em duas frentes, esta e outra soviética, a leste. Militarmente já era uma expressão conhecida, indicando o dia fatal de determinada operação, cujo “D” vem de “day”, “dia” em inglês. Para quem não sabe, a França adota a expressão com mais carinho a seu idioma: “le jour J”.


Dourar a pílula...
Expressão que significa aliviar alguma coisa para alguém. Dizer algo com voltas e eufemismos. “Pílula” vem do latim e significa “bolinha”. A expressão já aparece nos idos de 1680, na Europa, quando os farmacêuticos embrulhavam purgante e laxante em bonitos embrulhos coloridos e brilhantes. Desta maneira, as pessoas passaram a associar o remédio ruim com o embrulho (disfarce) bem feito.

Um elefante branco tem alguma coisa a ver com o bicho?
Sim, tem tudo a ver. Há muitos séculos no Sião, onde hoje é a Tailândia, quando o governante antipatizava com alguém da burguesia, presenteava-o com um caríssimo elefante branco (foto abaixo), dito sagrado por aquela sociedade. Pode parecer contraproducente, mas tem um fundamento: quem iria negar um presente real, cujo animal era sagrado para todos? A ideia era levar à falência o burguês inconveniente, uma vez que o animal deveria ser muito bem tratado e estar sempre limpo e bem alimentado. Algumas vezes o governante fazia visitas surpresas a essas pessoas a fim de conferir pessoalmente se o presente estava sendo bem tratado como deveria. A expressão existe em todo mundo e ganhou popularidade no século 18.


“A emenda saiu pior que o soneto”
Um jovem aspirante a poeta entregou um soneto que havia composto a Manuel Maria Barbosa, grande figura portuguesa; o pedido era simples: marcar com uma cruz cada erro encontrado a fim de aprimorar sua técnica como futuro poeta de sucesso. Manuel Maria leu o poema com alegria e o devolveu sem nenhuma cruz vermelha indicando erros, dizendo que havia tantos erros ali que as cruzes seriam tantas que a emenda sairia muito pior que todo soneto.

Esparadrapo também tem história?
Quem estuda ou estudou história sabe que tudo pode ter uma história interessante que a maioria desconhece ou ignora por causa da rotina e da vida corrida, e este é o caso do esparadrapo. A palavra tem origem no italiano “sparadrappo”, que curiosamente são duas palavras que remetem a uma ordem lógica de funcionamento: “rasgue” (“spare”) e “pano” (“drappo”). “Drappo” também deu origem a “trapo” no nosso idioma.

O café expresso, que nada tem a ver com a rapidez com que é feito...
O café expresso é a segunda bebida mais consumida em todo o mundo, ficando atrás somente da água. Feito com rapidez, é um ótimo companheiro para quem vive na correria do dia a dia. Entretanto, seu nome não tem nada a ver com essa vantagem. Vem do latim “expressu”, que significa “comprimido”, “espremido”; seu nome nasceu assim porque foi inventado na Itália (“caffè espresso”, “café comprimido”), uma vez que é passado pela compressão de vapor de água quente pelos pequenos grãos de café forte.


Fazer a barba, uma expressão sem lógica hoje em dia...
Reinaldo Pimenta, em seu primeiro volume do livro “A casa da mãe Joana”, tem razão ao dizer que falar que vai fazer a barba é uma expressão sem a menor lógica, uma vez que o indivíduo vai usar a gilete para tirá-la totalmente. Então a pessoa vai desfazer a barba que fez-se sozinha, certo? Mas essa expressão surgiu no século 19, quando a moda era usar barba; com isso, aparava-se a barba semanalmente para que ela ficasse de boa aparência, com formato único e não cheia de pontas. Assim, “fazia a barba”.