quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Caleuche, o navio fantasma do folclore chileno...

Poucos brasileiros já ouviram falar nessa história, que faz parte do folclore chileno, da tribo indígena chilota, o Caleuche, também conhecido por “Navio fantasmagórico”, “Coisa do mar” e “Navio dos bruxos”. O nome do lendário galeão fantasma vem do idioma mapudungun “kalewtun”, “transformar” e “chey”, “gente”; ou seja, “gente transformada”. Essa nau é descrita como um barco fantasma de cor totalmente branca, sempre refletindo uma luz tênue em uma neblina, de onde se pode ouvir música, festa e gargalhadas.


Neste blog já publicamos dois posts bem interessantes sobre a história do Holandês Voador, o navio fantasma que aterroriza navegantes pelos mares. Você pode lê-los clicando aqui e aqui!

De acordo com os indígenas que passaram à frente a história do galeão fantasma, ele se oculta por baixo da água ou por trás da neblina. Quando se sente ameaçado, também pode transformar-se em outros objetos e seres: baleias, morsas, rochedos etc.

Segundo as diferentes versões do mito indígena, sua tripulação é formada por feiticeiros da vila de Chiloé (foto abaixo) e seus comparsas em maldades, também por aqueles que morreram no mar em outros naufrágios e suas almas salvas por esses bruxos, e pela tripulação escravizada pelos demônios do Caleuche. A nau também seria um cemitério ambulante para os piratas que assaltaram vilas em busca de riquezas e acabaram violentando mulheres, crianças e idosos. Ou seja, um verdadeiro inferno fantasmagórico.


As origens mitológicas do Caleuche...
A lenda do galeão fantasma chileno se relaciona de diferentes maneiras, e em muitos aspectos, com a história das crendices populares da região de Chiloé. Não há um consenso com a origem do mito, mas entre as várias hipóteses há aquela que sugira a adaptação local do Holandês Voador. Por volta de 1600, chegaram à região os primeiros navios holandeses, o que pode ter levado até lá tais histórias de naufrágios piratas e misteriosos avistamentos no Caribe.

Há, entretanto, ufólogos que estudam a possibilidade de o Caleuche não ser um navio fantasma e apenas produto da imaginação folclórica, mas sim uma série de Osni’s – Objetos submergíveis não-identificados, que não versões aquáticas dos Ovini’s, já conhecidos.


Por ser um folclore regional, existem várias versões para o aparecimento do navio fantasma chileno. Às vezes, há riqueza de detalhes, e por outras o relato é totalmente diferente do que as pessoas costumam contar. O certo é que encontrar o Caleuche não é bom sinal.

1) Barco dos mortos do mar!
Uma versão popular afirma que esse barco salva a alma das pessoas mortas no mar e lhes dá nova vida à bordo, e as pessoas passam a eternidade em festas e celebrações. Por isso sem explicam os avistamentos envolvendo gargalhadas e música.

2) Barco maldito de pescadores escravizados!
Outra versão conta que o mítico barco aparece para encantar os pescadores com uma música maravilhosa, atraindo e transformando em fantasmas escravizados pela eternidade. Essa versão se parece com o mito grego das sereias cantoras que atraíam os barcos para as pedras.

3) Barco mágico de transporte de feiticeiros!
Há também a versão de que o Caleuche seja um navio para transportar a alma dos feiticeiros das tribos indígenas da região de Chiloé. Assim, os bruxos passariam a eternidade em festas grandiosas e, claro, pregando peças assustadoras na população local.

4) Barco mágico de contrabando
É uma das versões mais antigas do mito. Nela, o Caleuche seria um navio pirata do diabo que faria contrabando com comerciantes que fizessem pacto com as forças obscuras. Assim, o galeão navegaria de vila em vila assustando tripulações inteiras, recolhendo o que era deixado para trás e entregando aos tais comerciantes nebulosos. Essa narrativa fez surgir a desconfiança de quem fizesse fortuna rapidamente: desconfiavam de pacto sinistro com o Caleuche; assim, hoje em dia, no Chile, há a expressão “fazer fé no navio”, “ter pacto com o Caleuche”, quando alguém enriquece com rapidez.


O mito da nau fantasma tem tanta força na região de Chiloé que durante os anos 60, após um terremoto violentíssimo, algumas residências de comerciantes não sofreram danos. Com isso, eles foram acusados de terem pacto com os feiticeiros do Caleuche, que os teriam protegido.