sábado, 21 de julho de 2012

Você já ouviu falar nas pedras com inscrições fenícias encontradas no Brasil?

Recentemente, escrevi um post que comenta algumas considerações sobre a possibilidade de os fenícios terem chegado à América do Sul séculos antes dos europeus. (Leia clicando aqui) E também sobre as viagens vikings à América do Norte. (Leia clicando aqui) Há várias referências à presença de colonizadores na América antes das Grandes Navegações, que ocorreu após o século 15.

Nas últimas décadas há um grande enigma: será que os fenícios chegaram em território brasileiro séculos antes de Cabral e sua esquadra? Algumas pessoas insistem que sim, e que há provas suficientes para crermos que os livros escolares estão errados. Na foto abaixo, supostas inscrições fenícias encontradas na Paraíba na década de 1870.


No início da década de 1870, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB) recebeu uma carta vinda da Paraíba que descrevia o encontro de uma pedra com inscrições supostamente misteriosas; a carta tinha uma reprodução de como eram essas letras desconhecidas da população local. O caso ganhou o mundo quando o então diretor do Museu Nacional, Ladislau Neto, enviou aos jornais cariocas uma tradução dessas letras, que descreveriam uma expedição saída de Sídon (na Fenícia), durante o reinado de Hiran I, que se perdeu no Atlântico e veio parar no Brasil.


A notícia correu o mundo e foi um abalo historiográfico. Em 1874, especialistas europeus demonstraram que as tais inscrições eram uma fraude mal feita. Só em 1885 que Ladislau Neto admitiu o erro, em uma carta enviada ao francês Ernest Renan, o maior especialista na cultura fenícia naquela época. Com esse problema acadêmico tornando-se um impasse, o IHGB tentou localizar a tal fazenda na Paraíba, não encontrando. Hoje em dia os historiadores explicam que foi uma farsa criada com a intenção de desmoralizar o meio acadêmico brasileiro; hoje em dia alguns estudiosos creem que o próprio Ladislau forjou tudo na tentativa de virar um nome fabuloso no meio acadêmico internacional.

A partir de 1950, muitos historiadores de todo o mundo começaram a apontar que a inscrição da Paraíba poderia ser verdadeira, sim, mas o meio acadêmico europeu havia tentado negar a existência de fenícios por considerar, cedo demais, uma teoria absurda. Até hoje há controvérsias...

Na cidade de Diamantina, Jair Emídio Ferreira mudava o assoalho de sua casa, quando subitamente encontrou um estranho objeto: uma pequena rocha do tamanho de um prato, com desenhos e letras esculpidas em sua face. Jornais locais e nacionais da década de 1970 noticiaram com grande alarde que este vestígio teria origem fenícia. Segundo nossas análises, a figura tenta imitar uma espécie de sacerdote fenício-semita e as letras uma mistura do alfabeto hebraico com o latim: trata-se de uma fraude muito mal realizada que não despertou maiores atenções dos acadêmicos. A pedra de Diamantina (foto abaixo) encontra-se atualmente desaparecida. Segundo notícias veiculadas na região, ela teria sido vendida por Jair Ferreira para um colecionador norte-americano.


No sítio arqueológico denominado Sambaqui de Poço Grande (na cidade de Gaspar, em Santa Catarina), propriedade de Olimpio Hanemann, foi encontrada uma rocha com traços de alfabeto semítico (foto abaixo). Em 1972, a imprensa local noticiou a descoberta do vestígio, afirmando tratar-se de um resto fenício. Segundo o professor Evaldo Pauli da UFSC, estas inscrições poderiam constituir a prova de que navegantes semitas estiveram antes de Cabral no nosso país, tese compartilhada pelo frei Simão Voigt, ambos em meados da década de 1970. Após muitos anos de debates e especulações, o renomado epigrafista Frank Moore Gross declarou que se tratava de uma falsificação. O autor da fraude teria modificado as letras de um conhecido documento semítico, a inscrição Baal Libanon. O paradeiro atual da pedra de Gaspar é o Museu do Homem do Sambaqui, em Florianópolis.


As pessoas que compartilham da teoria de que os fenícios estiveram no Brasil denunciam que as investigações nunca foram realizadas com a devida atenção e o devido respeito. Para muitos, a maior evidência seria relacionada à Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, mas isso fica para um post no futuro, pois o assunto é muito grande e um pouco complexo. Até lá!