quarta-feira, 4 de julho de 2012

Conde Drácula: o personagem de terror mais popular da história...

Quando se fala em vampiros não tem para ninguém. Nem “Entrevista com vampiro”, nem a saga “Crepúsculo”. O mais clássico e conhecido de todos é o Conde Drácula, personagem fictício que dá título ao clássico livro de Bram Stoker, escrito em 1897. De tão pop que é, está no Guinness há várias décadas como o monstro fictício com maior número de aparições na mídia.


Há muitas especulações, mas o mais certo é que Drácula literário tenha sido inspirado no príncipe romeno Vlad Tepes (foto abaixo), e que viveu no século 15, onde hoje se encontra a Romênia e que, na época, era um território rachado entre a cristandade oriental (ortodoxos) e os turcos (muçulmanos). Vlad III ficou conhecido pela perversidade com que tratava seus inimigos. Embora não fosse um vampiro, sua crueldade alimentava o imaginário de modo que logo passou para o conhecimento popular como tal.

O pai de Vlad III, Vlad II, era membro de uma ordem cristã ocidental chamada Ordem dos Dragões, criada por nobres da região para defender o território da invasão dos turcos. Por isso, Vlad II era chamado de Dracul – “dragão” no idioma romeno – e, por consequência, seu filho passou a ser chamado Draculea (filho do dragão). A palavra “dracul”, entretanto, possuía um segundo significado (“diabo”) que foi aplicado aos membros da família Draculea por seus inimigos e possivelmente também por camponeses supersticiosos.


Vlad III era conhecido por sua perversidade e crueldade. Certa vez, dois súditos se esqueceram de tirar o chapéu para reverenciar sua chegada e, por causa disso, Vlad mandou pregar o chapéu em suas cabeças. Também dizem as lendas que um dia Vlad viu um aldeão com a camisa toda suja e lhe perguntou se sua esposa era saudável. O aldeão respondeu que sim e sua mulher teve ambas as mãos decepadas; e Vlad arrumou outra esposa para o aldeão e a mostrou o que acontecera com a antiga para que servisse de exemplo. Vlad tinha prazer em comer em frente de suas vítimas com os corpos empalados (foto abaixo) ouvindo seus gritos de agonia.


Muitas dessas histórias e folclores levam a crer que Vlad III seja a principal inspiração para Conde Drácula. Além disso, a cultura popular também colocou no conhecimento comum referências da Transilvânia, da Romênia e do nome Vlad à cultura do vampirismo moderno.

Já a crença de que Drácula é um morto-vivo meio zumbi nasceu de um fato pitoresco: em uma batalha, Vlad Tepes teria levado um golpe na cabeça, que o deixou em coma; alguns dias depois ele teria acordado como se nada tivesse ocorrido e voltou para o campo lutar contra os muçulmanos junto aos seus soldados. Detalhe: Vlad III venceu essa batalha e decepou os corpos dos soldados inimigos, criando na região o folclore de que ele havia retornado do inferno auxiliado pelas forças ocultas do diabo.

É fácil imaginar como essa lenda rapidamente se espalhou e ganhou formas de verdade. Durante a Idade Média a vida dos camponeses era rodeada pelo sobrenatural; a Igreja exercia uma força ideológica muito grande em toda a Europa; o demônio era visto diariamente em qualquer manifestação estranha ao entendimento do ser humano e daquilo que a Igreja dizia ser um “mistério da fé”.


O personagem da literatura...
A biografia de Drácula e sua trajetória muda conforme há uma adaptação do original – seja para o cinema, ou para o teatro. Mas, no geral, o seu passado está relacionado à Romênia e a Vlad III. No livro de Bram Stoker, ele é a reencarnação do mal que assola virgens indefesas na Inglaterra no século 19.

Nessa época, os contos de suspense e terror faziam o maior sucesso entre os jovens ingleses e norte-americanos. A história do Conde Drácula se tornou referência, tanto que o gênero de novela melodramática em ambientes obscuros ganhou o nome de “novela draculiana”. Recentemente, publiquei um post debatendo esse mirabolante gosto particular por contos de terror. Você pode conferi-lo clicando aqui!

Desde que os irmãos Limère inventaram o cinema, em 1895, Drácula apareceu várias vezes na tela grande. Primeiramente em 1922, em “Nosferatu”. A indústria da cultura sempre exerceu enorme fascínio por esse personagem macabro que teria um verdadeiro pacto com as forças do mal. Ao longo das décadas, os vampiros ganharam o cinema, o teatro, a televisão, os gibis, os animes e, depois de mais de 150 anos, Drácula está vivo em uma inspiração recente: a saga “Crepúsculo”.

Características físicas...
Bram Stoker nos deixou em sua obra clássica a receita básica para que Drácula deixe em paz os seres humanos, mas conforme a história ganha nova roupagem uma característica lhe é entregue de presente. De acordo com o livro original, Drácula:

- Nutre-se de sangue para sobreviver;

- Não é visto em espelhos;

- É morto com uma estaca de carvalho cravada em seu coração, ou quando sua cabeça é decepada;

- Símbolos cristãos, como a cruz e a água benta, podem afastá-lo, mas nunca feri-lo. É interessante notar um anacronismo, uma vez que originalmente Vlad III era um soldado cristão, cruel, mas em defesa dos interesses religiosos do cristianismo oriental ortodoxo;

- Odor de alho pode afastá-lo e queimar a sua pele;

- Não cruza água corrente, como um rio. Só o faz usando um barco;

- Se transforma em qualquer criatura da noite, não somente um morcego: lobo, coiote, mariposa etc;

- Não entra em casas sem ser convidado;

- Um ramo de rosa silvestre em seu caixão o impede de sair.