sábado, 30 de junho de 2012

Os anjos de Mons: o misterioso exército de fantasmas numa guerra sangrenta...

Um mês após a dura batalha de Mons, na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foi publicada no “Evening news”, de Londres, uma notícia que causou tremenda sensação na época e provocou uma controvérsia que ainda dura até os dias de hoje. A notícia, escrita pelo jornalista Arthur Machen, referia como uma pequena força expedicionária britânica, numa desproporção numérica de três para um para o exército alemão, fora aparentemente salva por reforços celestiais. Os anjos de Mons surgiram repentinamente entre os ingleses e os alemães, que se defrontavam nessa batalha. De acordo com a notícia, os alemães recuaram confusos e medrosos.


A batalha foi travada em 26 de agosto de 1914, e quando a notícia foi publicada, entre setembro e outubro, a maioria dos sobreviventes ainda se encontrava na França. No mês de maio de 1915, a filha de um pastor em Bristol publicou na revistinha da paróquia o que dizia ser a confissão de um oficial britânico, sob juramento. Nela, o homem declarava que, quando a sua companhia se retirava de Mons, fora perseguida por uma unidade da cavalaria alemã; o oficial procurou um lugar para os britânicos se abrigarem, mas os alemães os alcançaram.

Esperando uma morte certa, os ingleses voltaram-se e viram, então, para seu espanto, uma companhia de anjos entre eles e os inimigos. Os cavalos alemães, extremamente assustados, fugiram para lados diferentes enquanto os soldados berravam de medo. O capelão do exército, reverendo Chavasse, declarou ter ouvido a mesma história de três soldados que participaram dos pelotões que ficaram próximos a Mons.

Ainda de acordo com o relato dessa revistinha paroquial, o exército celestial escoltou os ingleses por cerca de meia hora até desaparecer tão misteriosamente como havia aparecido. Do lado alemão surgiu a notícia de que os combatentes germânicos haviam recusado a atacar em determinado ponto onde as linhas inglesas tinham sido cortadas, devido à presença de grande quantidade de tropas. Segundo os registros dos aliados, não havia nessa altura um único soldado inglês na área.


Um detalhe muito importante sobre os anjos de Mons é que nenhum deles foi divulgado em primeira mão através das próprias testemunhas do ocorrido. Sempre quiseram manter anonimato, com medo do deboche popular e do impedimento de promoção no exército. Nenhum nome é citado, sempre ficando no nível do incerto: um soldado, um general etc.

Anos depois, o jornalista autor da notícia reconheceu que tudo se passava por fantasia para tempos difíceis, pois ele queria que as pessoas acreditassem em Deus e na intervenção divina – naquela época já diziam que os alemães eram anticristos, e nem imaginavam que coisa pior pudesse vir: a Segunda Guerra, a partir de 1939. Machen terminou sua carreira escrevendo contos de ficção científica e suspense.

O mistério tornou-se, assim, mais intrigante. Apesar do desmentido, muitos soldados confirmaram boatos relacionados à batalha de Mons, e os investigadores do exército chegaram a acreditar que algo sobrenatural houvesse ocorrido lá. Será que eles realmente viram algo sobrenatural, ou apenas reproduziram uma história que lhes agradava?

Os anjos de Mons são personagens folclóricos britânicos e depois de 1915 foram lançados livros, filmes, novelas, documentários. Até mesmo uma ópera foi escrita para relembrar esse fato que mistura guerra e sobrenatural.