sábado, 2 de junho de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (6)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Voltar o polegar para baixo era sinal de morte na arena romana...
Um quadro de Jean León Gerome (foto abaixo), exposto pela primeira vez em 1873 e que se difundiu largamente sob a forma de gravura, representa um imperador romano com o polegar virado para baixo, indicando assim ao gladiador que matasse o seu oponente caído. É aí que nasce a lenda sobre o gesto, pois os historiadores especialistas em Roma Antiga dizem que o polegar para baixo não representa o desejo da morte. Uma tradução feita em 1693 das “Sátiras” de Juvenal transcreve a frase “onde com polegares dobrados para trás a plebe mata”. A tradução de 1853 feita por John Mayor explica melhor: “Aqueles que desejam a morte do gladiador vencido voltavam os polegares em direção ao peito, como sinal para seu oponente trespassar com a espada; aqueles que desejavam que ele fosse poupado voltavam os polegares para baixo, indicando que a espada deveria cair”. Os historiadores também dizem que os imperadores anteriormente consultavam a plateia antes de darem o sinal de vida ou morte aos gladiadores.


Cinderela usava sapatinhos de cristal na noite do baile...
Na primeira versão francesa do popular conto de fadas, a Gata Borralheira usou “pantoufles en vair” – “sapatos de pele de arminho branco” (um animalzinho parecido com um rato, na foto abaixo). Cerca do século 15, porém, a palavra vair caíra em desuso, e o autor francês Charles Perrault, que reescreveu a história em 1697 e não conhecia o vocábulo, confundiu a palavra com verre, “vidro” ou “cristal”. Como a versão que nos chegou é a de Perrault, em todo o mundo conhecemos os graciosos sapatinhos de cristal. Originalmente, a história de Cinderela é folclórica e meio obscura; há pelo menos 300 versões diferentes na França e o sapatinho é feito de materiais diversos: pérolas, ouro, prata, até hóstias sagradas. Na China do século 9 também havia uma narrativa parecida.



O dinheiro é a raiz de todo o mal...
Frase muito dita nos púlpitos das igrejas cristãs. O que São Paulo na realidade afirmou foi: “O amor pelo dinheiro é a raiz de todos os males”, não querendo significar que o dinheiro em si constituísse um mal, ou então ninguém conseguiria sobreviver sem comprar as necessidades básicas.

Que comam bolos!
No mês de outubro de 1789 as mulheres pobres de Paris dirigiram-se ao Palácio de Versalhes, numa tentativa de forçar o rei Luís XVI a criar um governo mais justo. De acordo com a tradição, quando a rainha Maria Antonieta ouviu os gritos das mulheres e lhe disseram que elas tinham fome e não havia pão, teria dito: “Ué, que comam bolos”. Isso circulou por Paris como um sinal de desunamidade e estupidez da monarca; no entanto, não existe nenhuma prova histórica de que ela tenha dito isso. A primeira referência à frase apareceu em 1760, nas “Confissões” de Rousseau, quando Maria Antonieta era ainda uma jovenzinha. Rousseau conta a história de uma grande princesa que teria dito a mesma frase quando seus conselheiros disseram a ela que os camponeses passavam fome.

Elementar, meu caro Watson!
Essa frase nos leva diretamente ao famoso personagem criado por Arthur Conan Doyle, o Sherlock Holmes. No entanto, em parte alguma das obras o detetive pronuncia essa frase. Há algo parecido na história “O homem desonesto”, de 1894. Nessa história, Watson casou-se e não vive na casa do detetive. Quando visita seu assistente para lhe pedir ajuda num mistério, Holmes faz algumas deduções sobre o velho amigo; Watson pergunta como ele havia descoberto tantas coisas, ele responde: “Elementar, óbvio, Watson”.