quarta-feira, 20 de junho de 2012

A lenda do navio fantasma que jamais atracou!

Uma cintilante neblina pairava sobre as águas azuis de False Bay, uma estância marítima de recreação na África do Sul, em um dia de extremo calor, em março de 1939. Na praia, mais de 60 pessoas aproveitavam a praia. Subitamente, em meio à neblina, surgiu um galeão, como os que haviam navegado ali séculos antes, saindo da Europa em direção à Índia. Todas as pessoas viram o enorme navio e logo virou o assunto do lugar. De acordo com a notícia publicada em um jornal local à época, o navio seguia viagem mesmo sem nenhuma brisa.

O British South Africa Annual referente a 1939 registrou: “Com uma intenção misteriosa, o navio navegava em linha reta, enquanto os banhistas, sacudidos da sua letargia, discutiam vivamente o fenômeno do aparecimento do navio, que parecia caminhar para a autodestruição. Porém, o navio desapareceu tão rapidamente como havia aparecido”.

O fenômeno ganhou a África do Sul e surgiram várias teorias: alguns explicavam que os banhistas viram uma miragem, outros falaram se tratar de um reflexo na neblina de um galeão viajando um pouco mais distante. No entanto, as testemunhas disseram não se tratar de uma embarcação moderna, mas sim do século 17. As matérias jornalísticas reproduzem o que as pessoas viram: “Para mim os cientistas podem dizer o que quiser, mas aos meus olhos é um típico navio fantasma”, diz uma senhora no texto.


Desde o início das Grandes Navegações europeias, no final do século 15, as lendas sobre navios fantasmas são conhecidas. Segundo registros bem antigos, em 1680, um navio holandês que navegava sob a ordem de Hendrik Decken, zarpara de Amsterdã rumo a Jacarta. Contam os registros que Decken era muito ousado e pouco cuidadoso. A viagem seguiu sem problemas até chegar na África do Sul, quando uma tempestade tropical fortíssima destruiu o leme da embarcação. Passaram dias e mais dias com o galeão totalmente perdido no mar, viajando ao sabor das ondas. Conta a lenda que Decken ficou muito irritado quando a tripulação cogitou que ele não tinha conhecimento suficiente para cruzar o sul da África.


A partir daí surge a lenda com vários aperitivos folclóricos. O comandante teria conversado com o diabo em um sonho, que fez um desafio: se Decken desafiasse Deus, conseguiria tomar um rumo na viagem. Ele aceitou o desafio, terrível para uma tripulação composta por homens religiosos convertidos ao Protestantismo.

Diz o folclore que Deus não gostou de ser desafiado e, desde então, Hendrik Decken é um condenado a vagar infinitamente pelos mares sul-africanos em seu navio. Desde 1710, há vários registros de pessoas que dizem ter visto a referida nau fantasmagórica naqueles mares. Assim aconteceu com o hoje falecido rei Jorge V, ainda aspirante da Marinha a bordo do Bacchante, viu o navio fantasma em águas próximas à Cidade do Cabo.

O último avistamento em massa ocorreu em 1942, quando mais de 200 pessoas numa praia viram na neblina o tal galeão antiquíssimo. Desde então são registrados casos isolados.


E o que a ciência explica?
Os físicos insistem em explicar que esse fenômeno registrado por tantas pessoas na África do Sul trata-se de uma miragem como a que ocorre nos desertos. Acredita-se que o navio de Decken nem tenha afundado próximo à Cidade do Cabo, mas sim a quase 700 quilômetros à frente. Mas a ciência ainda não explicou o porquê de essas miragens serem, sempre, parecidas com uma nau tão antiga.