sábado, 12 de maio de 2012

O gosto popular por contos fantasmagóricos e filmes sobrenaturais tem explicação?

Desde que a imprensa entrou no modelo de produção industrial até o advento do cinema, tudo no século 19, reparamos a quantidade absurda de contos de terror, fantasmagóricos, e filmes que tiram o sono de qualquer um. O fato é que o ser humano sempre teve verdadeiro fascínio por assuntos sobrenaturais. Mas será que existe uma explicação para isso? Sim, há...


No século 19, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos, tornaram-se enorme sucesso as chamadas “novelas draculianas”. Os tons sombrios, misteriosos e fantasmagóricos faziam sucesso na juventude, principalmente nas mãos de Edgar Allan Poe. Lendas acerca de casas mal-assombradas têm uma longa história na literatura, tendo autores da época de Roma Antiga como Plauto, Plínio o Novo e Luciano de Samósata escrito histórias sobre casas assombradas.

Recentemente, publiquei um post sobre esclarecimentos referentes a locais supostamente mal-assombrados. Para ler, clique aqui!

Também recentemente escrevi um post sobre a presença constante de fantasmas na nossa cultura. Leia aqui!

Em 1764 já se registra o primeiro livro de terror: “O castelo de Otranto”, de Horace Walpole. No século 19 a literatura fantasmagórica é bem vasta principalmente pelas mãos do mestre Edgar Allan Poe. No cinema não é diferente: depois de 1915, ainda na gênese da sétima arte já havia registros de pequenos filmes para assustar, como “O fantasma da casa”, de 1917.


O século 19, muito antes de ser a “Belle Epoque”, é, também, uma fase que o ser humano das sociedades industriais teve gosto particular por aquilo que desconhecia: (1) nasce a doutrina espírita, quando as sessões de comunicação com fantasmas se populariza na França; (2) os circos de horrores fazem caravanas imensas e ganham fabulosas quantias de dinheiro nos EUA apresentando pessoas com anomalias horríveis; (3) os acidentes de trabalho em indústrias não muito seguras eram tão comuns que você teria um vizinho ou parente amputado; (4) doenças como sífilis, tuberculose e tifo eram extremamente comuns em centros como Paris, Londres e Nova York.

Todos esses ingredientes serviram para povoar a mente das pessoas que viviam aquela época, muitas vezes sofrida. Assim, nasceram os contos que narravam fantasmas em castelos, sessões espíritas amaldiçoadas, vampiros misteriosos, aleijados buscando vingança e muito sangue! Grande parte dos contos tinha tons de vida real: os autores buscavam na imprensa sensacionalista ingredientes para sua ficção.



No Brasil, esse tipo de literatura não influenciou a produção cultural, tanto que não estamos acostumados a ver filmes, séries e novelas com fantasmas e cataclismos, ao contrário da cultura norte-americana, que desde 1840 convive com contos draculianos, filmes sobre o fim do mundo etc.

Foi com esse tom de sociedade trágica graças ao advento da indústria que começamos a ser influenciados culturalmente por vampiros, fantasmas, demônios e pessoas com defeitos físicos gravíssimos. Naquela época era comum a exploração da desgraça alheia em nome do lucro, o que hoje a imprensa faz, mas esconde esse interesse.