sábado, 19 de maio de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (5)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Cisnes cantam antes de morrer...
A crença de que os cisnes, habitualmente desprovidos de voz, cantam maravilhosamente antes de morrer faz parte do antigo folclore de poetas e filósofos. Os antigos gregos consideravam os cisnes animais de Apolo. Segundo Sócrates, os cisnes cantam não por tristeza ou aflição, mas porque são inspirados por Apolo. Shakespeare refere-se ao “canto do cisne” nas suas peças e nos seus poemas, e a imagem é também usada por Lord Byron em “Don Juan”. O cisne Cygnus olor – cisne mudo – emite um som vagamente musical. A espécie mais vulgar limita-se a emitir um violento sibilo quando irritada ou se algum perigo ameaça sua cria.


O queijo é o alimento preferido dos ratos...
Experiências laboratoriais feitas nos anos 80 revelam que o queijo não é a melhor isca para a captura de um rato. Segundo esses estudos, os ratos tendem a procurar mais doces com gosto de limão. Na verdade, doces atraem melhor os ratos do que queijo ou pão. Outras experiências também revelam serem falsas as preferências alimentares dos animais – cachorros por carne e gatos por peixe. A alimentação e suas preferências nascem dos hábitos da casa.

Camelos e dromedários armazenam água nas corcovas...
As corcovas desses animais contêm gordura nutritiva que, não dispondo o animal de outro alimento, lhe assegura a subsistência durante uma semana ou dez dias.

O porco-espinho pode disparar os seus espinhos...
Como mecanismos de defesa, os espinhos do porco-espinho são altamente eficientes. À parte o seu efeito obviamente dissuasivo, são frequentemente impregnados de imundícies e bactérias, que podem causar sérias infecções. Além disso, torna-se difícil à vitima remover os espinhos com farpas. Mas o porco-espinho não é dotado de um mecanismo muscular que lhes permita disparar seus espinhos.


Nero tocava violino enquanto Roma ardia em chamas...
Uma das lendas mais divulgadas sobre Roma e seu louco imperador Nero diz que ele mesmo colocou fogo na cidade quando viu seus projetos ruírem. No entanto, não existe nenhum documento que culpe o imperador; mais louca ainda é a historinha de que ele tocava violino alegremente enquanto a “cidade eterna” ardia em chamas. O violino só foi inventado no século 16. Mas em outras versões, Nero tocava lira ou cítara. De acordo com o historiador romano Tácito, Nero estava a uns 80 quilômetros de distância de Roma quando teve início o fogaréu; ainda segundo ele, o imperador mandou tropas para controlar o incêndio.

Eva deu a Adão uma maçã no Paraíso...
Embora a maçã tenha tornado um símbolo da perda da graça, a história da tentação, contada no Gênesis, não faz qualquer referência à maçã; menciona simplesmente “o fruto da árvore que se encontra no centro do jardim”. Generalizou-se a crença de que o fruto era uma maçã através da mitologia grega, na qual este fruto pertencia às deusas do amor e do sexo, simbolizando o desejo. Quando, no século 2 d.C., Aquinlo de Pontus traduziu do hebraico os Cânticos Salomônicos, alterou os versos “Criei-te debaixo da macieira; ali a minha mãe te gerou” para “Criei-te debaixo da macieira; ali to foste corrompido”. Esse erro de tradução perpetuou-se durante toda a Antiguidade Clássica, chegou à Idade Média e está aí até hoje.