sábado, 28 de abril de 2012

Mais um pouco sobre a história, os fatos e as farsas do tarô...

Recentemente, escrevi um post falando um pouco sobre a verdadeira história do jogo de baralho tarô, muito conhecido na Europa medieval e que ganhou o mundo com a colonização europeia. Você pode ser este post clicando aqui! No entanto, as pessoas me escreveram querendo um pouco mais e, portanto, aqui estamos com mais curiosidades, fatos e farsas. Voilà!

As cartas do tarô não surgiram entre os egípcios, como costumam forçar alguns místicos, mas na Itália e na França, entre os séculos 14 e 15; era jogado como forma de diversão entre os nobres e rapidamente se espalhou pela Europa Central, onde ganhou entre os ciganos e judeus praticantes da cabala a chamada “arte divinatória”. Na realidade, era uma brincadeira de crianças e jovens que passou a ser considerada bem séria.


A origem da palavra...
Ninguém sabe ao certo a origem da palavra “tarô”, mas os gramáticos acreditam que ela tenha vindo do árabe antigo “turuq”, que significa “encruzilhada”, “quatro caminhos”. Já para os gramáticos franceses, “tarot” vem do italiano medieval “tarocchi”, que significava em Veneza “deduzir”. Em Veneza medieval, “tarocchi” significava deduzir o valor de uma mercadoria no porto antes mesmo de ela ser avaliada por um especialista.

Um pouco de história e mais elucidações...
Foram os árabes que levaram os jogos de cartas até a Península Ibérica e a Itália, mas foi por volta de 1400 que as cartas do tarô teriam sido criadas. Mas a primeira evidência historiográfica do jogo é de 1442, na cidade de Milão, quando um documento fala que a poderosa família Sforza era viciada neste passatempo – lembrando que ele ainda não era conhecido como método de adivinhação.

Não há documentos que atestem o uso divinatório do tarô anteriores ao século 18, embora se saiba que o uso de cartas semelhantes para tal uso era evidente por volta de 1540. Em um livro publicado em 1735 há uma forma que ensina a tirar as cartas para ler a sorte; em 1750 há um outro falando sobre como os ciganos romenos conseguiam prever o futuro em um jogo de sorte e baralhos. Em 1765, as apostas envolvendo jogos de tarô eram tão grandes na Rússia e na Ucrânia que foram proibidos.


Os historiadores apontam, com isso, que o tarô não tem uma origem mística, mas sim de diversão e jogatina, com requintes de vícios e bebedeiras. Teriam sido os ciganos que deram a ele o ar sobrenatural que conhecemos hoje, uma vez que precisavam fazer dinheiro por onde passavam; uma época melhor que a Idade Média não havia, uma vez que o misticismo aflorava das diversas culturas da Europa.

O primeiro baralho de tarô, com os quatro naipes e os arcanos maiores, está guardado no Museu de Milão. Nele não há uma data escrita, mas suspeita-se ter sido pintado por volta de 1460. Nos arcanos maiores há figuras de deuses romanos, o que era moda na época por causa do classicismo em voga do Renascimento Cultural. De acordo com os historiadores, a prova de que o tarô nunca foi usado como método de adivinhação, mas sim como diversão é o fato de não haver nenhum documento da Igreja que implica o seu uso e sua metodologia.


O surgimento do tarô esotérico...
O tarô como ocultismo se espalhou rapidamente pela Europa Central através dos ciganos, mas foi na França após a Revolução Francesa que ele chegou aos moldes conforme o conhecemos hoje e chegou à América, tudo pelas mãos de um místico parisiense muito famoso conhecido como Alliette Etellia. Em cartas guardadas na Biblioteca Nacional da França esse ocultista dizia que a origem do tarô vinha de um misterioso jogo praticado pelos faraós do Egito. Em 1781, Antoine Court, um suíço, publicou um livro que falava sobre os modos de “jogar as cartas conforme se fazia em Marselha”; daí nasceu a modalidade hoje conhecida como “tarô de Marselha”. Assim nasceu uma historinha em cima da outra.

A concepção do tarô como um código místico foi desenvolvida por Eliphas Lévi, que espalhou para o mundo. Foi nesse processo de virada dos séculos 18 para o 19, na França, que o baralho perdeu as características de diversão, apostas e jogatina para ter requintes de adivinhação, ocultismo e alquimia. Nessa época, a Europa vivia uma verdadeira onda de fascínio por assuntos sobrenaturais: contos fantasmagóricos, sessões espíritas, circos de bizarrices humanas etc.

Na América o tarô tornou-se cada vez mais popular a partir de 1911 com a onda imigratória. Desde então foram criadas várias versões com a tentativa de prever o futuro, mas o fato é que um simples jogo de apostas cruzou os séculos e cá chegou completamente distorcido. Imaginemos daqui a alguns séculos o que poderiam fazer com o nosso tradicional e proibido jogo do bicho, hein