quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A verdade sobre o mito do Eldorado!

Durante muitos séculos, os corações e os espíritos dos homens sentiram-se fascinados pelo Eldorado, a lenda da cidade de ouro, o local escondido que abrigava tesouros fabulosos, oculto em algum lugar do continente americano – foi à procura do Eldorado que os espanhóis chegaram à Flórida. Centenas de exploradores viajaram através de oceanos perigosos e por selvas desconhecidas e acabaram morrendo nessas aventuras. De acordo com os arqueólogos e historiadores, Eldorado não era uma cidade, mas sim um ser humano!


Ao que tudo indica, a lenda teria surgido pelos espanhóis no século 16 após o espanhol Pizarro ter chegado ao Peru. Os espanhóis conheceram relatos de um povo conhecido como chibcha, índios adoradores do sol, que viviam onde hoje está Bogotá, a capital da Colômbia. A tribo venerava o ouro, considerado pedacinhos de sol por eles; os membros dessa elite – governantes e sacerdotes – adornavam-se de ouro e cobriam prédios públicos com o metal áureo. Há relatos de viajantes: “Os filhos do sol vestem-se de ouro”.

Em 1545, o espanhol Luis Daca afirmou que um índio chibcha confessou que, numa montanha sagrada, havia um lago cheio de ouro; naquela localidade, o chefe tribal se vestiria inteiramente com o metal, o que aumentou a ganância dos europeus em encontrar o referido lugar.



Com a divulgação dessas histórias na Europa, o Eldorado passou a ser considerado uma cidade feita de ouro, chegando a dizer que ela ficaria no Brasil, nas profundezas do Rio Amazonas. Vale lembrar que, em espanhol, Eldorado significa “Aquele que é dourado”.

Já no final do século 16, o banqueiro judeu Bartolomeu Welser patrocinou uma expedição à Colômbia para encontrar a cidade dourada. Seus homens chegaram a torturar famílias de índios para que eles revelassem onde se encontrava o lugar misterioso. Essa e todas as outras expedições foram um fracasso total, afinal os índios não conheciam cidades de ouro, mas pessoas que se vestiam de ouro – por adorarem o sol.

O homem de ouro...
Os chibchas adoravam o sol e acreditavam que seu chefe tribal era descendente direto dele. Segundo relatos, uma vez por ano esse chefe passava por um ritual bem complexo: ele era lambusado com óleo vegetal e sopravam em seu corpo ouro em pó. De acordo com antropólogos que hoje estudam aquela sociedade, ele era o Eldorado, “aquele que é dourado”, “aquele feito de ouro”.

Depois faziam uma procissão com animais também besuntados com ouro em pó até o Lago Guatavita, onde eram lançadas oferendas em favor do sol. Esse lago realmente existe, mas tudo isso não passava de lenda folclórica até 1969, quando dois agricultores procuravam seu cão de estimação perdido na floresta; ao entrarem numa gruta depararam-se com ornamentos feitos de ouro puro – sendo elas oito estátuas pequenas de um homem “vestido de sol”. As fotos acima mostram alguns dos artigos que foram retirados do interior do lago.

No entanto, o Lago Guatavita continua a ser um mistério fechado em seus possíveis tesouros. O espanhol Gonzalo Quesada, que conquistou a região em 1540, obrigou mais de 8 mil índios a abrirem uma brecha nas margens do lago para baixar o nível da água, mas as paredes do canal desmoronaram-se e os índios, receando a ira do sol, interromperam os trabalhos e mais material cedeu – toneladas de pedras.



Ainda em 1823 e em 1900 foram feitas outras três tentativas de drenar o Lago Guatavita, mas em vão. Foram encontradas ao longo desses anos outras peças de ouro no fundo do leito, mas a população local diz que, realmente, o lugar é sagrado e se recusa a evidenciar seus tesouros escondidos. As oferendas ficarão escondidas dos olhos da história.