quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sobre as pessoas que ainda creem que a Terra seja plana...

Quando o astronauta Neil Armstrong pisou a Lua pela primeira vez, no dia 21 de julho de 1969, centenas de milhões de pessoas em todo mundo consideraram o feito como um dos mais notáveis da história da humanidade. Porém, para um grupo pessoas que se intitulam Sociedade Internacional da Terra Plana, a façanha não passou de um truque de ficção científica que entrou para os anais históricos.

Segundo os membros dessa organização – que tem um site, e você pode visitá-lo clicando aqui –, as palavras históricas de Armstrong, ao descer na superfície lunar, a 400 mil quilômetros da Terra – “Este é um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade” – apenas poderiam ser concebidas por um autor de roteiros cinematográficos de Hollywood. Para se ter ideia, essa sociedade tem cerca de 1.400 membros em vários países!


No que se diz respeito às fotografias, supostamente tiradas no espaço e que apresentavam a Terra como uma esfera azul rotativa, resultam, segundo adeptos da Terra Plana, demasiado grotescas para merecerem qualquer comentário. Contrariamente à crença generalizada – afirmam –, não é a Terra que roda em torno do Sol, mas este que gira em redor dela. É isso mesmo, eles ainda creem na astronomia ptolemaica, que era usada na Grécia, em Roma e até na Idade Média.


A sociedade afirma que a humanidade está dentro de uma teia terrível de mistificações. Para eles, todas as fotos de satélite são mentirosas, o Google Earth é uma tremenda fraude, não há provas físicas de que a Terra seja redonda. Para eles, o centro do mundo é o Polo Norte, e a barreira de gelo que forma o Polo Sul é uma cadeia de montanhas geladas nas bordas do planeta em forma de disco.

Esse grupo foi fundado em 1800 por Charles Johnson, defensor ferrenho dos saberes clássicos gregos. Para ele, somente os gregos realmente conheciam as coisas do mundo; e, pasme, para o Johnson, eles tinham mais recursos científicos do que a sociedade contemporânea!

O grupo da Terra Plana ainda afirma que as expedições antárticas nunca ocorreram, mas sim os exploradores escalaram as cadeias de gelo e montanhas nas bordas do planeta-disco, e que jamais vão penetrar esse gelo por causa das temperaturas severas (-89°C). Portanto, nunca conheceremos o além gelo que nos rodearia.


A Sociedade Internacional da Terra Plana vai além e também especula sobre o espaço sideral. Asseguram que a Lua mede apenas 50 quilômetros e não os 3.400 quilômetros oficiais, além de estar a pouco mais de 4 mil quilômetros do nosso planeta. Já o Sol estaria a apenas 5 mil quilômetros de nós, e não a 150 milhões como diz a astronomia. “Imaginem que nem teríamos verões se o Sol estivesse tão longe como dizem esses pseudocientistas”, diz o site oficial da sociedade. Enquanto isso, cientistas nem comentam o caso, dizendo que não pessoas em sua infância intelectual. E as estrelas? Segundo eles, são pequenos corpos celestes soltos pelo universo, a poucos quilômetros do planeta Terra, e não enormes sóis a anos-luz daqui.

Porém, surge uma dúvida. Se a Terra é plana como um disco ou uma tábua, o que estaria debaixo do chão que nós pisamos? De acordo com a sociedade, seria uma mistura de água e magma e que provavelmente havia outros seres desconhecidos nessas águas que ainda não teríamos conhecido e navegado. Eles se apóiam na teoria bíblica que diz que há o céu e a água, e a terra no meio.



O mais impressionante – e talvez risível – foi a ideia de alguns membros da Sociedade Internacional da Terra Plana em 1918. Subir em balões em um dia sem vento e esperar; se a terra realmente fizesse o movimento de rotação, em pouco tempo eles estariam alguns quilômetros à frente. Depois de horas nada mudou, então concluíram: realmente, a Terra não gira em torno de si, mas sim o Sol faz o movimento em volta do planeta.

Causa um pouco de choque imaginar que ainda há pessoas que pensam dessa maneira, em uma sociedade dominada pelo cientificismo e pelas tecnologias. Mas é assim que a humanidade se fundamentou: através de uma pluralidade impressionante de pensamentos e opiniões.