quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quem foram os templários, os cavaleiros de Cristo...

Desde sempre, os chamados cavaleiros templários são envoltos em muito misticismo e pouca verdade. A história fez criar em torno deles uma aura de mistério que persiste até hoje. Mas, afinal de contas, você sabe o que a história como ciência nos conta sobre a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão? Então vamos lá...

A ordem foi fundada em 1118 por Hugo Payens, com apoio de alguns reis, logo após a primeira Cruzada, com a finalidade de proteger os peregrinos que tentassem chegar a Jerusalém. Em 1128 o Papa Honório II aprovou o trabalho dos templários e, a partir daí, começou a ganhar isenções e privilégios cada vez maiores. O poder foi aumentando aos poucos, inclusive fundando sistema bancário rudimentar e construindo fortificações pela Europa e Oriente Médio.

O poder dos templários tornou-se tão grande que, em 1139, o Papa Inocêncio II declarou que eles não deviam obediência a nenhum poder secular ou clerical, mas apenas ao próprio papado. Com isso, os cavaleiros não deviam obediência nem mesmo aos reis ou senhores feudais. Conseguiram isso porque compraram todas as brigas da Igreja e participaram as Cruzadas no Oriente; não tinham medo de morrer e tudo faziam para ganhar a salvação depois de mortos (prática muito parecida aos mártires muçulmanos de hoje, né).


Perda de crédito na Igreja...
Com o passar o tempo a ordem ficou rica e poderosa: doações de terras, dinheiro, ouro. Em alguns casos havia mais soldados que governos e ameaçava a hegemonia em alguns feudos. Com o crescimento, passaram a aceitar pessoas fora da missão católica; logo o fervor cristão e vida austera foram deixados de lado pelos templários.

Em 1307, o rei da França os acusou de hereges e redigiu a ordem de prisão e expropriação de todos os bens da ordem. Os templários foram encarcerados em masmorras e submetidos a torturas para se declararem culpados de heresia. No entanto, o Papa Clemente V os absolveu, fazendo o rei francês cair em descrédito, mas o monarca conseguiu tomar grande parte dos bens no seu território.


Atualmente todo o processo da Igreja envolvendo a Ordem Templária está em domínio público nas bibliotecas do Vaticano. Desde 2007 a Igreja Católica liberou os documentos, o que serviram para diminuir os boatos e folclores envolvendo o nome da antiga instituição. O fato de nunca ter havido uma oportunidade de acesso aos documentos originais dos julgamentos contra os templários motivou o surgimento de muitos livros e filmes, com grande repercussão pública, porém, sem nenhum fundamento histórico. Por este mesmo motivo, muitas sociedades secretas, como a maçonaria, se proclamam herdeiras dos templários.

Muitas lendas e pouca história...
Em 1571, os soldados otomanos destruíram os arquivos templários na ilha do Chipre e, por isso, muito se perdeu e várias lendas foram criadas. A última lenda envolve os escritos do autor Dan Brown. O fato é que a decadência da ordem se deu com essa perseguição francesa; o último país a decretar seu fim foi a Escócia. Oficialmente, os templários foram dissolvidos por volta de 1350.

Muitas das lendas dos templários estão relacionadas com a ocupação de Jerusalém e da especulação sobre as relíquias que eles podem ter encontrado lá, como o Santo Graal ou a Arca da Aliança. No entanto, nos extensos documentos nunca houve uma única menção de qualquer coisa como uma relíquia do Graal, e muito menos a sua posse. Na realidade, a maioria dos estudiosos concorda que a história do Graal era apenas isso, uma ficção que começou a circular na época medieval.


Historiadores medievalistas apontam que a história do Graal foi sedimentada na Idade Média para dar aos templários o sentido de hereges, uma vez que eles chegaram a ser pressionados pela Santa Inquisição; adorando objetos não-cristãos, poderiam ser dissolvidos e seus bens revertidos para os reis medievos.

A história dos templários é muito complexa e maior do que esses poucos parágrafos, mas espero que eles tenham servido para diminuir um pouco da aura de mistério e misticismo envolto nesta ordem. E, com a falta de informações histórias por tantos séculos, foi muito fácil criar um discurso em cima de tantos folclores medievais.