sábado, 21 de janeiro de 2012

Os fenícios que contornaram a África antes dos europeus...

Ninguém acreditou nos fenícios quando eles afirmaram, dois mil anos antes dos portugueses, que tinham contornado por mar o continente africano, desde o Egito até o Estreito de Gibraltar. Foram objeto de piada quando insistiram que, ao terem dobrado o Cabo da Boa Esperança, o sol do meio-dia ficava ao norte. Todos os homens do mundo antigo sabiam que o sol se encontrava sempre na parte sul do firmamento. Isso acontece no hemisfério norte.

Mesmo Heródoto, o “pai da história”, que escreveu a história dos fenícios, acreditava que essa história fosse um embuste. No entanto, para os historiadores atuais a maior prova do ocorrido é justamente a referência do sol aparecendo à direita quando navegavam a oeste no hemisfério sul.


Manuscritos apontam que a viagem épica foi planejada pelo Faraó Necho em 600 a.C., interessado em conhecer meios de navegabilidade além do Mar Vermelho. Os egípcios queriam expandir seus territórios navegáveis, mas como não eram exímios navegadores, a missão foi dada a um grupo de fenícios mercenários. No entanto, ninguém poderia supor que a viagem fosse se tornar tão longa!

De acordo com as reconstituições feitas nos anos 50, os fenícios partiram em novembro no Mar Vermelho. Durante meses navegaram seguindo a costa até onde era desconhecido para qualquer homem do Oriente Médio e da Europa Clássica. Esperavam que a costa fizesse uma dobra, marcando o caminho para casa; no entanto, meses e meses e nada se modificava: sempre uma costa longa de florestas e temperaturas quentes e úmidas. Em compensação, notavam com preocupação que o sol se desviava aos poucos no céu em direção ao norte e, com isso, o sistema de orientação falhava até que a Estrela Polar sumiu completamente e outras estrelas apareceram.


Pelos relatos, por volta de maio do dia seguinte finalmente chegaram ao atual Cabo da Boa Esperança – onde está situada a Cidade do Cabo, na África do Sul – e notaram que a dobra na costa que tanto esperavam havia aparecido, indicando o caminho para casa. Novamente o céu se modificava: as novas constelações sumiam, o sol voltava ao lugar de onde eles conheciam e a Estrela Polar poderia coordená-los de novo.

Teriam levado pelo menos dois anos para completar tal aventura, saindo do Egito e chegando ao Marrocos. Contornaram o litoral africano dois mil anos antes de os portugueses terem feito isso e levado os louros da conquista nos livros de história. Quando chegaram já eram dados como mortos pelos egípcios e por suas famílias.