quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O famoso caso Roswell, que inaugura a ufologia: conheça mais sobre ele...

Hoje vamos falar um pouco sobre um dos eventos mais comentados por ufólogos, militares e demais pesquisadores: o Caso Roswell, que inaugura a chamada ufologia contemporânea. Trata-se de uma série de acontecimentos ocorridos em 1947, na cidadezinha de Roswell, no meio do deserto do Novo México, nos EUA. Lá, um Ovni teria caído e militares americanos teriam escondido os aliens e o veículo espacial, mas na história há várias controvérsias.


O fato...
No dia 08 de julho de 1947, o jornal “Roswell Daily Record” publicou em primeira página a notícia de que o 509º Grupo de Bombardeiros da Força Aérea do Exército dos EUA havia tomado posse dos destroços de um disco voador: “RAAF (Roswell Army Air Field, Aeródromo Militar de Roswell) captura disco voador em rancho na região de Roswell”, era o título da manchete. A notícia causou rebuliço na cidade, mas já no dia seguinte o jornal desmentia a história: a notícia sobre os discos voadores perde o interesse. O disco do Novo México é apenas um balão meteorológico.

Os destroços haviam sido encontrados originalmente por um fazendeiro chamado William Brazel, que deu uma entrevista ao Roswell Daily Record contando como foi o achado. Ele disse que no dia 14 de junho, enquanto andava a cavalo com o seu filho, deparou-se a cerca de 12 quilômetros do rancho em que vivia com uma série de destroços. Acostumado a encontrar restos de balões meteorológicos, não lhes deu importância de início, só vindo a recolher o material no feriado de 04 de julho. Nesse mesmo dia ele contou a sua história aos vizinhos Floyd e Loretta Proctor, que o informaram que alguns jornais ofereciam até 3.000 dólares por uma prova dos chamados “discos voadores”, assunto que estava causando furor na imprensa devido às declarações do piloto Kenneth Arnold feitas um mês antes. Arnold relatou que, ao sobrevoar o Oregon, avistou o que seriam aeronaves voando em formação, e descreveu o seu movimento como o de pedras ou discos deslizando na superfície de um lago. A imprensa logo cunhou o termo “disco voador”, excitando as imaginações, o que estimulou quase mil relatos de avistamentos de UFO's nas semanas seguintes (hoje acredita-se que o que Arnold viu foram, na verdade, pássaros migrando).

Em 07 de julho de 1947, Brazel dirigiu-se até a delegacia informando de que teria talvez encontrado os restos de um disco voador. O xerife responsável telefonou para a base aérea de Roswell, que enviou o major Jesse Marcel, do 509º Grupo de Bombardeiros, juntamente com o capitão Sheridan Cavitt, para analisarem os destroços. O major recolheu o material e o transportou para a base de Fort Worth. Enquanto isso a história se espalhou, dando origem à manchete do Roswell Daily Record.


Os mitos envolvendo o fato...
A história do disco acidentado jazia esquecida até 1978, quando o físico nuclear Stanton Terry Friedman ouviu falar de Jesse Marcel, sobre quem pairavam rumores de já ter tocado um disco voador. Inicialmente as informações de Marcel eram escassas demais para serem de alguma utilidade a Friedman, mas aos poucos ele e outros pesquisadores foram obtendo mais informações e descobrindo outras testemunhas. Enquanto isso, Friedman conseguiu que uma entrevista com Marcel fosse publicada no tablóide “National Enquirer”, onde Marcel afirmava que nunca tinha visto nada como o material encontrado em Roswell, que acreditava ser de origem extraterrestre. Assim o assunto Roswell voltou às manchetes.

Baseando-se em relatos de diversas testemunhas descobertas a partir da volta do Caso Roswell às manchetes, pesquisadores publicaram os primeiros livros defendendo a tese de que os destroços de 1947 eram de uma nave alienígena.

Ainda que divergissem alguns detalhes, as teorias apresentadas nesses livros seguiam a mesma lógica básica. Os destroços encontrados em Roswell seriam de uma nave alienígena que, por algum motivo desconhecido, teria se acidentado. Ao identificarem os destroços, os militares americanos teriam iniciado uma campanha de desinformação para acobertar a verdadeira origem do material, apresentando a versão oficial de que seriam restos de um balão meteorológico.

Stanton Friedman publicou mais tarde, no livro Top Secret/Majic, o que seriam evidências documentais da existência de um grupo governamental clandestino dedicado exclusivamente a acobertar o incidente de Roswell.


Os documentos oficiais...
Em 1994, Steven Schifft, congressista do Novo México, pediu ao governo que buscasse a documentação referente ao Caso Roswell. Quando a Força Aérea Norte-Americana recebeu a petição, publicou dois relatórios conclusivos sobre o caso: o primeiro, de 25 páginas, foi publicado ainda em 1994 e se concentra na origem dos destroços encontrados. Já o segundo, publicado três anos depois aborda os relatos de corpos de alienígenas.

No primeiro relatório, afirma-se que os restos encontrados eram de balões do Projeto Mogul, altamente secreto, projetado para detectar possíveis testes nucleares soviéticos (o primeiro teste nuclear soviético só aconteceria em 1949). A partir dos registros ainda disponíveis sobre o projeto, concluiu-se que os destroços encontrados em Roswell seriam provavelmente do quarto voo, ocorrido em 04 de junho de 1947. De acordo com o diário do Dr. Crary, um dos responsáveis do projeto, o voo NYU 4 foi acompanhado pelo radar até que desapareceu a cerca 27 km de distância do Rancho Foster. As cartas meteorológicas da época demonstram, contudo, que de acordo com os ventos prevalecentes de então, os balões podem ter sido levados exatamente para o local onde Mac Brazel os encontrou dez dias depois.


Já no relatório de 1997, a Força Aérea dos Estados Unidos afirmou que os estranhos corpos descritos por algumas das testemunhas eram na verdade bonecos de teste do Projeto High Dive. Concluiu-se que diversas atividades da Força Aérea ocorridas ao longo de vários anos foram misturadas pelas testemunhas, que as lembraram erroneamente como tendo ocorrido em julho de 1947.

Fechando o caso...
Toda a discussão sobre o que aconteceu em Roswell gira em torno de informações obtidas de testemunhas. Estas testemunhas guardaram suas histórias por décadas, só aparecendo após o assunto receber destaque na imprensa e, em alguns casos, apenas repassavam relatos ouvidos de terceiros. O longo espaço de tempo entre o incidente e os relatos inevitavelmente diminuiu a sua exatidão. Como todos os depoimentos e contradições foram explicados, o caso pode ser considerado finalmente encerrado.

Atualmente, Roswell vive do turismo ufológico. Existe a Rodovia dos Aliens, vários museus, lojas de lembranças e tudo mais que a criatividade humana pode inventar sobre o assunto. Vários pesquisadores não creem nos documentos publicados e fazem referência à Área 51, que fica próxima ao local ocorrido; mas isso é assunto para um outro post no futuro.