sábado, 14 de janeiro de 2012

Atlântida: fato ou farsa?

Há muitos e muitos anos uma bela ilha, próspera e poderosa, dominava um império que se estendia da Europa até a África. Os moradores eram extremamente cultos, exímios na arte da guerra, mas praticavam atos imorais; com isso, os deuses castigaram esses habitantes afundando a ilha com as águas do mar. Um conto de ficção da mitologia? Para muitos, não. Para outros, sim. Essas são as palavras de Platão, uma narrativa sobre uma terra que desafia as lógicas da história e da geologia, a narrativa de Atlântida.


Platão teria dito que o tal reino ficaria além das Colunas de Hércules (atual Estreito de Gibraltar). Segundo ele, era uma terra gigantesca, repleta de cultura e pessoas sábias. Isso fez aumentar a imaginação de muitas pessoas mais românticas ao longo de tantos séculos. A humanidade nunca esqueceu Atlântida.

É a reputação de Platão como um sábio filósofo que fez com que a história da ilha se tornasse uma verdade. Segundo historiadores, a narrativa nasceu com Sólon, que ouvira de sacerdotes egípcios na Palestina. Pelas contas dos estudiosos, dizia-se que Atlântida existiu na terra há uns sete mil anos. Os céticos dizem que os modernos métodos de mapeamento dos oceanos não apontam vestígio algum de uma ilha submersa no meio do Oceano Atlântico.


De acordo com historiadores, a civilização descrita por Platão se parece muito à do Império Minoico, que existiu perto da Ilha de Creta. Era uma sociedade bem desenvolvida, com leis, conhecimentos de engenharia e agropecuária etc. No final do século XV a.C. esta civilização desapareceu tão abruptamente como a Atlântida narrada pelo filósofo; por séculos o sumiço de um povo como este intrigou historiadores e arqueólogos. Descobertas recentes apontam que os minoicos podem ter desaparecido numa erupção vulcânica como Pompeia.

Sabe-se que a ilha vulcânica de Thera, no Mar Egeu, explodiu cerca de 1470 a.C. A cratera, de 1500 metros de altura, emergiu com uma violência total que parte central da ilha desapareceu numa cova de 360 metros abaixo do nível do mar. As áreas ao redor teriam ficado com cinzas de 30 metros de altura, sob as quais foram descobertas ruínas de casas, que poderiam ser dos minoicos.



Este cataclismo poderia estar relacionado ao caso de Atlântida, pois é quase contemporâneo aos tempos de Sólon. Além disso, pode haver erros de tradução dos manuscritos, como apontam alguns especialistas em língua grega do período Clássico.

Duas outras possibilidades apontam que Platão cometeu erros. O vocábulo grego antigo que significava “maior do que” é muito semelhante à palavra que traduz “a meio caminho”. Ficaria Atlântida a meio caminho entre a Líbia e a Ásia, não sendo como o filósofo escreveu: “muito maior que a Líbia ou a Ásia”. E seriam mesmo as Colunas de Hércules o atual Gibraltar? Dois promontórios próximos a Creta também recebiam esse mesmo nome.




No pensamento atual de historiadores e arqueólogos, o caso de Atlântida já fora encerrado há décadas com essas descobertas, não sendo uma farsa, mas sim um erro de identidade. Mesmo assim, ainda há estudiosos que teimam em buscar a tal civilização avançada sob as águas do Oceano Atlântico.