sábado, 26 de novembro de 2011

Algumas anotações sobre os locais mal-assombrados...

Garanto que esse post vai dar o que falar, principalmente em quem acredita nas mais diversas teorias fantasmagóricas, mas vou tentar fazer uma descrição sobre esse fenômeno que assusta o ser humano desde o início dos tempos. Locais mal-assombrados são motivos de inúmeras histórias, lendas urbanas e mitologias; cada cidade tem o seu cantinho dos fantasmas, cada sociedade tem a sua explicação. E essa riqueza folclórica permanece até o tempo presente. Tanto é que o canal SyFy tem alguns programas dedicados a essas investigações. Escrevi um post sobre isso, e vale a pena conferir os programas e horários clicando aqui.

Pois bem, casa mal-assombrada é um nome bem genérico dado a um lugar onde, supostamente, acontecem eventos que a razão e a ciência não conseguem explicar num primeiro momento. Esses eventos podem ser bem variados, desde ruídos, luzes, movimentação de objetos, vozes, aparições etc. Podem ser chamados de poltergeists, ou fantasmas brincalhões. Já escrevi um post explicando o que são esses poltergeists – você o confere clicando aqui.



Com uma pesquisa aprofundada podemos ver que existem dois momentos de popularidade das casas mal-assombradas: (1º) quando os contos de terror se tornam populares nos folhetins de jornais franceses, ingleses e americanos no século 19; e (2º) com o cinema e a TV, que dão novo vigor a essas histórias.

Alguns especialistas dizem que esses fenômenos são produtos de espíritos desencarnados que, através de manifestações físicas, mostram-se presentes. Ainda segundo essa tese, um dos moradores da casa tem uma mediunidade muito forte sem saber. Podem ser espíritos levianos querendo se divertir provocando o medo dos moradores, podem ser espíritos desejosos de se comunicarem pedindo ajuda, podem ser os espíritos de antigos moradores que ainda se julgam donos da casa, podem ser desafetos dos moradores atuais que querem perturbá-los emocionalmente. Enfim, há teorias para todos os gostos!


O fato é que, de acordo com parapsicólogos, os fenômenos de assombrações podem ser confundidos facilmente com outras manifestações naturais e acabam entrando num ranking de folclores regionais. Ou seja, manifestações naturais, zoológicas ou até mesmo psicológicas podem gerar isso. Segundo a Associação Americana de Parapsicologia, mais de 90% dos casos investigados resumiam-se a erros de identidade; este é o caso dos fantasmas no navio Queen Mary, que eram somente guaxinins intrusos procurando abrigo.

O advento da internet e de tecnologias digitais facilitou a proliferação desses casos de lugares mal-assombrados. Muitas vezes são truques baratos que as pessoas recorrem e acabam se popularizando, como é o caso deste vídeo australiano de um possível poltergeist. Repare que as caixas se movimentam no sentido dos canos no teto; ou seja, há uma linha ali fazendo esse movimento todo.



As assombrações nas artes...
Lendas acerca de casas mal-assombradas têm uma longa história na literatura, tendo autores da época de Roma Antiga como Plauto, Plínio o Novo e Luciano de Samósata escrito histórias sobre casas assombradas. A casa assombrada é um elemento comum na literatura gótica e, em geral, no gênero de terror ou, mais recentemente, na ficção paranormal. A estrutura de uma casa mal-assombrada pode variar entre um antigo castelo feudal europeu e uma casa de subúrbio de construção recente. No entanto, muitos autores e cineastas preferem a arquitetura do século 19 ou anterior, particularmente mansões obscuras. A chave do mistério é, muitas vezes, a presença de um ou mais fantasmas, usualmente devido a um assassinato ou outra morte trágica ocorrida naquele lugar no passado.

Em 1764 já se registra o primeiro livro de terror: “O castelo de Otranto”, de Horace Walpole. No século 19 a literatura fantasmagórica é bem vasta principalmente pelas mãos do mestre Edgar Allan Poe. No cinema não é diferente: depois de 1915, ainda na gênese da sétima arte já havia registros de pequenos filmes para assustar, como “O fantasma da casa”, de 1917.

Ou seja, muito do que se tem sobre assombrações em construções, navios, ruas etc. parte do pressuposto folclórico e do erro de identidade. Claro, ainda há casos que não houve explicação material suficiente para torná-los fatos ou farsas, mas a criatividade do homem dá sempre um novo despertar à atração que nossa sociedade tem pelo que é inexplicável e misterioso.